Para enfrentar fechamento e privatização da antiga Colônia Itapuã, Morhan ganha núcleo na região metropolitana de Porto Alegre/RS

Para enfrentar fechamento e privatização da antiga Colônia Itapuã, Morhan ganha núcleo na região metropolitana de Porto Alegre/RS

Para enfrentar fechamento e privatização da antiga Colônia Itapuã, Morhan ganha núcleo na região metropolitana de Porto Alegre/RS 

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O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), que tem 40 anos de atuação no Brasil, inaugura na segunda-feira (30 de agosto) um núcleo na região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A assembleia que elege a coordenação do núcleo será realizada às 18h30, na câmara municipal de vereadores de Viamão, localizada na Praça Júlio Castilhos, S/N – Centro, Viamão. O evento contará com a presença do coordenador nacional do movimento e conselheiro nacional de saúde, Artur Custódio, vindo do Rio de Janeiro/RJ.

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“Nosso objetivo com a implementação deste núcleo é, principalmente, fortalecer a defesa do antigo Hospital Colônia de Itapuã, patrimônio histórico da memória sensível das pessoas afetadas pela hanseníase no Rio Grande do Sul, que abriga até hoje pessoas atingidas pela doença segregadas durante a política de isolamento compulsório e seus familiares”, destaca Custódio. Hoje, os atuais moradores, pacientes e trabalhadores de Itapuã enfrentam a possibilidade de fechamento do ex-hospital colônia e a iminência de perderem seus lares, empregos e história. “Para além da preservação da memória, precisamos direcionar o enfrentamento à hanseníase de forma transversal nas políticas públicas, com o viés dos direitos humanos”, complementa o dirigente. 

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O Morhan tem representação em esferas do controle social, como o Conselho Nacional de Saúde (CNS) e o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), e atua em interlocução com governos, entidades da sociedade civil organizada e organismos internacionais em defesa dos direitos humanos das pessoas atingidas pela hanseníase no país. A eliminação da hanseníase, o enfrentamento ao estigma relacionado à doença, a qualificação da assistência – do diagnóstico à reabilitação – e o direito à reparação por violações de direitos que historicamente atingiram as pessoas afetadas pela doença e seus familiares são alguns dos objetivos do movimento.

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A hanseníase no RS

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O Brasil é o país com a maior incidência de hanseníase no mundo, com uma taxa de aproximadamente 13 novos casos para cada 100 mil habitantes, segundo dados de 2019 do Ministério da Saúde. O Rio Grande do Sul é o estado com menor número de incidência da doença no país, o que não significa que a doença esteja superada na região.  Artur Custódio explica que “o problema do RS é a dificuldade de detecção precoce de novos casos, que já chegam avançados, com sequelas da doença identificada tardiamente”. A enfermeira e voluntária do Morhan Magda Chagas reforça o alerta: “Muitas vezes a pessoa tem uma lesão de pele e se não tem nenhum profissional que possa fazer um diagnóstico de qualidade, a lesão passa despercebida e se torna algo maior, gera sequelas. É preciso fortalecer o atendimento dos profissionais da Atenção Primária, capacitá-los sobre a hanseníase”, . A expectativa é que o núcleo de Porto Alegre e região metropolitana possa intensificar as ações de proteção do patrimônio histórico e de educação em relação à doença no estado.

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O Antigo Hospital Colônia de Itapuã

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Aberto em 1940, com o objetivo de isolar pessoas atingidas pela hanseníase, atualmente o local abriga pacientes da doença e seus familiares, pacientes psiquiátricos vindos do Hospital Psiquiátrico São Pedro, e também funcionários que moram nas dependências da ex-colônia. “Diante dessa ameaça que o governo vai fechar o hospital, surgiu também a preocupação do que iria ser feito com aquele local, que é histórico. Então resolvemos fundar o Morhan Porto Alegre e região metropolitana, que engloba Viamão, como forma de proteção ao ex-hospital colônia de Itapuã. Não queremos que aquele espaço seja desmanchado ou vendido, precisamos respeitar a memória das pessoas, e do local enquanto patrimônio”, destaca Ana Carolina Pinheiro, jornalista, voluntária do Morhan e escritora, autora do livro-reportagem “Nós não caminhamos sós”, que retrata histórias da Colônia de Itapuã (RS). 

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No dia 16 de dezembro do ano passado, a possibilidade de privatização da ex-Colônia Itapuã foi discutida em audiência pública proposta pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado. Na ocasião, representantes da assembleia e do controle social, como Elpídio Borba, do Conselho Estadual de Saúde, criticaram a falta de transparência do governo estadual em relação à situação dos moradores nos hospitais São Pedro e Colônia Itapuã e à possibilidade de privatização levantada a partir do contato com o Sírio Libanês.

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Saiba mais

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Hanseníase é uma doença infecciosa que afeta a pele e os nervos. Com o tratamento adequado, a partir da medicação e acompanhamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em unidades de saúde de todo país, a doença tem cura. A transmissão se dá pelo contato próximo e prolongado com pessoas sem tratamento afetadas pela doença na sua forma multibacilar. A partir do início do tratamento, a doença deixa de ser transmissível. São sinais e sintomas da doença: Manchas (esbranquiçadas, amarronzadas e avermelhadas) na pele com mudanças na sensibilidade à dor, térmica e tátil; sensação de fisgada e formigamento ao longo do trajeto dos nervos dos membros; perda de pelos em algumas áreas e redução da transpiração; pele seca; inchaço nas mãos e nos pés; inchaço e dor nas articulações; redução da força muscular nos locais em que os nervos foram afetados; dor e espessamento dos nervos periféricos; caroços no corpo; olhos ressecados; feridas, sangramento e ressecamento no nariz; febre e mal-estar geral; feridas nas pernas e nos pés; e, nódulos avermelhados e/ou doloridos espalhados pelo corpo.

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Para mais informações e para se inscrever como voluntário/a, contate o Morhan pelo ZapHansen: (21) 97912-0108

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