Pesquisa sobre os “Filhos Separados” da hanseníase, ganha prêmio nacional

Pesquisa sobre os “Filhos Separados” da hanseníase, ganha prêmio nacional

Aconteceu em São Paulo  nos dias 30 de Novembro a 1 de Dezembro o 12° CONIC- Congresso Nacional de Iniciação Científica, o maior evento do gênero que fecha o calendário anual acadêmico do Brasil. Esse ano o congresso contou com 1.800 trabalhos inscritos divididos em 2 eixos, trabalhos concluídos e em andamento.

A pesquisa da PUC MINAS “Órfãos Por Imposição do Estado” interdisciplinar foi uma das classificadas para se apresentar dentro da programação do congresso na área de Ciências Humanas e Sociais, concorrendo na categoria de trabalho concluído. O trabalho trouxe um recorte dando destaque as marcas e violações praticados contra os filhos dos ex-portadores de hanseníase durante o tempo do isolamento compulsório.    

Passada as seletivas do evento deu se a divulgação dos resultados finais e a premiação do respectivo trabalho como o grande vencedor de sua categoria. Os autores Thiago e Pautília, disseram que o mais importante dessa conquista é o fato da pesquisa esta a serviço da sociedade e de uma causa.  A seguir leia um pouco da linha adota na apresentação do congresso.

Os mesmos danos psicossociais encontrados nos ex-portadores de hanseníase podem ser encontrados nos filhos, e ainda danos específicos a eles que não são encontrados nos ex-pacientes de hanseníase. Esses filhos foram privados dos primeiros acalentos maternos essenciais para a formação do Sujeito. Não tiveram a oportunidade, nem a escolha de manterem seus laços sociais. Foram enviados para instituições e separados de seus pais sem chances nem mesmo de vê-los.  Com o passar do tempo, em muito deles, essa quebra de laços, causou enormes traumas e danos. Em grande maioria dos relatos dos nossos entrevistados foi detectado a presença de maus tratos realizados pelas instituições responsáveis em educar as crianças. Fica claro e evidente que muitas, se não todas as instituições responsáveis pelo cuidado dessas crianças, bebês e adolescentes, praticavam as mais diversas atrocidades contra seres humanos, um verdadeiro holocausto silencioso praticado pelo Estado brasileiro.

A luz do conhecimento de hoje, sabemos que a alienação parental, reconhecida como crime, gera uma série de transtornos para a pessoa que foi vítima. É bastante freqüente na literatura do tema, a descrição dos casos de delinquência ou de demência das pessoas que passaram por isso na infância. Provavelmente, estamos diante da maior alienação parental provocada por uma lei estatal, na história de nosso país. O Estado Brasileiro erra ao manter oficialmente a política de segregação e separação de filhos, desde a recomendação mundial oficial em 1952, até a portaria de 1976. Erra também pela ausência de fiscalização nas instituições que eram responsáveis pela educação dessas crianças, gerando abusos nas condições dos ambientes, alimentação inadequada, maus tratos, desaparecimentos de crianças, adoções ilegais e abusos sexuais. E Erra pela terceira vez, ao demorar quase 10 anos para implantar a portaria de 1976, e sem nenhuma política de readaptação e/ou reabilitação.

Com tudo isso a responsabilidade do estado é inegável, o que nos leva a crer que o estado brasileiro possui uma dívida social com esses brasileiros e que precisa ser reparada, pois é clara a violação do direito desse grupo, e o não reconhecimento disso, viola o direito de toda uma sociedade.

VENCEDORES CATEGORIA CONCLUÍDO
 
CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
AUTOR: THIAGO PEREIRA DA SILVA FLORES e PAUTÍLIA PAULA DE OLIVEIRA CAMPOS
ORIENTADOR: JOSÉ LEÃO MARINHO FALCÃO NETO
TRABALHO: ÓRFÃOS PELO ESTADO – AS MARCAS E VIOLAÇÕES PRATICADOS CONTRA OS FILHOS DOS EX-PORTADORES DE HANSENÍASE
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS – PUC MINAS
 
 
Divulgação http://conic-semesp.com.br/